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Saúde e Nutrição "Aspectos
clínicos"
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A percepção de que o excesso ponderal pode ser danoso para o ser humano é antiga. Hipócrates há mais de dois mil anos já notara maior tendência à morte súbita em obesos. Também descreveu alterações do ciclo menstrual e infertilidade em mulheres. Além do grande trauma social que causa, a obesidade deve ser considerada uma entidade patológica importante.
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O excesso de peso relaciona-se direta e exponencialmente com a mortalidade por causas cardiovasculares. De fato, guarda relação com a hipertensão arterial, com o aumento dos níveis séricos de triglicerídeos e com a diminuição do HDL-colesterol. A atividade fibrinolítica encontra-se diminuída. Os níveis de Antitrombina III, importante anticoagulante endógeno, reduzidos em obesos mórbidos, elevam-se com a perda de peso. É bastante significativa a relação entre a distribuição andróide de gordura corporal e o desenvolvimento de isquemia coronariana.
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A obesidade é um importante fator de risco para o desenvolvimento do diabetes mellitus não insulinodependente (DMII). A síndrome de resistência insulínica, comum nos obesos, corresponde a uma resposta metabólica aquém da esperada em relação ao hormônio. Obesos insulinorresistentes mantém sua glicemia plasmática às custas de níveis elevados de insulina. A permanência desta condição clínica a longo prazo é capaz de induzir a falência da secreção de insulina pela célula ß do pâncreas, com o desenvolvimento de intolerância à glicose e posteriormente DMII.
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O aumento da deposição de gordura nas paredes abdominal e torácica pode causar alterações no padrão respiratório, com diminuição do volume e da complacência pulmonares. Encontra-se elevado o trabalho da musculatura diafragmática. Em grandes obesos ocorre distúrbio da relação ventilação/perfusão, caracterizado por hipoxemia com níveis normais de PCO2. Este distúrbio é mais significativo quando em posição supina - posição em que o efeito compressivo exercido pela gordura abdominal sobre os pulmões é maior. Esta síndrome de hipoventilação é chamada Picwick em homenagem ao personagem Joe do livro de Charles Dickens. Em casos extremos, a obesidade pode provocar apnéia durante o sono, por fatores mecânicos e também por alteração do centro de controle do sistema nervoso central.
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Estudo realizado pela American Cancer Society seguiu 750 mil indivíduos por 12 anos e observou que o risco para mortalidade por câncer foi de 1,33 vêzes maior em homens obesos ( câncer colorretal e de próstata ) e 1,55 vêzes maior em mulheres ( câncer de endométrio, vesícula, colo de útero e mama).
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Sistema Musculoesquelético
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Observa-se associação de obesidade com gota e com osteoartrose de joelhos.
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Sistema Reprodutor Feminino
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Mulheres obesas desenvolvem sangramento disfuncional uterino e amenorréia com maior frequência. Esta última em decorrência de alterações no eixo hipotálamo-hipofisário. Observa-se também aumento de produção de androgênios pelos ovários. A síndrome dos ovários policísticos é provavelmente a condição endócrina mais prevalente em mulheres em fase reprodutiva. Pode ocorrer em até 6% desta população e foi descrita por Stein e Leventhal como hirsutismo, irregularidade menstrual, infertilidade, aumento dos ovários e obesidade coincidentes.
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Convém ressaltar a rejeição social sofrida pelo obeso nos dias atuais, muitas vezes facilitadora da instalação de estado de depressão. Observa-se também nos obesos maior predisposição ao desenvolvimento de litíase biliar.
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