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Bases Fisiopatológicas da Obesidade
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É sabido que algumas pessoas engordam com mais facilidade que outras. Para que se entenda esta tendência, é necessário ter em mente que na origem da obesidade estão envolvidos fatores metabólicos, genéticos, culturais e comportamentais
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Alguns conceitos importantes
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• Calorias - Kilocaloria é a quantidade de calor necessária para elevar a temperatura de 1 litro d'água de 14,5 para 15,5 graus centígrados. É portanto uma medida de energia.
• "Basal Metabolic Rate" (BMR) - É a energia empregada a cada minuto para realização de reações vitais ao organismo, como o transporte de moléculas, manutenção do tônus muscular e de gradientes de concentração, síntese de moléculas biológicas e ainda os trabalhos respiratório e circulatório. Corresponde a aproximadamente 60% do gasto energético do ser humano a cada 24 horas.
• "Termic effect of foods" (TEF) - É a quantidade de energia empregada na absorção e metabolismo dos alimentos. Envolve uma parcela obrigatória e outra facultativa e corresponde a aproximadamente 10% do gasto energético diário.
• "Termic Effect of Exercise" (TEE) - É o custo energético da atividade física acima do basal. Sujeito às maiores variações; afirma-se que corresponda de 15 a 20% do gasto energético diário das sociedades ocidentais.
• "Termogênese"- É o gasto de energia acima do BMR em decorrência da alimentação, exposição ao calor e a agentes termogênicos ( ex. nicotina, cafeína) e a alterações psicológicas.
A obesidade resultaria de um desbalanço entre a ingesta e o gasto energético. Alguns estudos procuram associar o surgimento da obesidade com menor gasto energético diário. Sendo assim, quanto mais eficiente metabolicamente mais energia sobraria para poder ser acumulada sob forma de gordura. Entretanto, diversos estudos demonstraram que o obeso gasta mais energia que o magro a cada 24hs. Os obesos têm maior percentagem de gordura corporal, mas seu peso absoluto de "massa magra", metabolicamente mais ativa, é também maior. Quando perdem peso tendem a diminuir seus gastos energéticos, daí a dificuldade em se manter por longo prazo os resultados terapêuticos em grande número de casos. Postula-se que cada indivíduo tenha seu próprio "Set Point", no qual seu peso e suas funções metabólicas estariam equilibrados.
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Diversos estudos com resultados variados demonstraram haver associação entre obesidade e heretitariedade. Bouchard em 1988 publicou no International Journal of Obesity um estudo que envolveu 1698 pessoas de 409 famílias diferentes e demonstrou haver participação genética em até 25% dos casos. Quando analisada a distribuição andróide de gordura, esta participação chegou à 30%. O trabalho de Stunkard, publicado em 1986 no "The New England Journal of Medicine" partiu de uma análise de 540 adultos adotados e mostrou maior correlação entre o BMI do filho e de seus pais verdadeiros.
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Sistema Nervoso Central (SNC)
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A tendência atual é considerar o hipotálamo como órgão regulador do desejo de comer. No hipotálamo ventro-medial estaria situado o centro da saciedade. Sua destruição causa hiperfagia e obesidade, com hiperinsulinemia, alterações da termogênese e do sistema nervoso autônomo. O hipotálamo lateral compreenderia o centro da fome. Sua destruição leva a um estado de diminuição da ingesta alimentar e ao emagrecimento. A participação de neurotransmissores, já identificados, atuando nos diversos tipos de receptores é fundamental para o início e o término de uma alimentação.
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Dieta - Afinal, o obeso come mais ?
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O obeso durante muitos anos foi considerado pela sociedade e até mesmo pela classe médica o grande culpado pelo seu excesso de peso. Preguiçoso, indolente e guloso, foram atributos muito utilizados de forma pejorativa. Se analisarmos os diversos estudos que procuraram demonstrar haver relação entre maior ingesta calórica, encontraremos resultados conflitantes até mesmo dentro de certos grupos de autores. É óbvio, porém, que o indivíduo que já tem uma tendência natural para o excesso de peso será mais sensível às transgressões alimentares
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Outros fatores não menos importantes
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Vários outros fatores estão envolvidos na gênese da obesidade. Aspectos culturais e comportamentais podem facilitar ou dificultar a manifestação de uma tendência. Observa-se ganho ponderal após o casamento e com o envelhecer ( em especial nas mulheres ). A cessação do vício de fumar e a gestação guardam relação com o aumento do peso, assim como a adoção de um estilo de vida sedentário. A preferência por alimentos ricos em carbohidratos e com alto teor de gordura também é característica dos obesos. A utilização de certas medicações como glicocorticóides, antidepressivos tricíclicos, anticoncepcionais orais além do lítio, pode também causar aumento de peso.
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